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Café das 9 Olimar Gamarra
06/01/2020 às 04:57

Blocos abrem carnaval não oficial no Rio de Janeiro

Fonte: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil / EBC

Desliga dos Blocos critica mercantilização do carnaval de rua no RJ

Tomaz Silva/Agência Brasil
Tomaz Silva/Agência Brasil

O carnaval já começou no Rio de Janeiro. E a todo vapor. Cerca de 25 blocos participam, desde as 7h30 de hoje (5), da abertura do carnaval não oficial do Rio de Janeiro. Todos os blocos, incluindo um da Baixada e três de Niterói, se reúnem em diversos locais do centro da capital fluminense. O evento é organizado pelo movimento Desliga dos Blocos, que se proclama “em defesa da liberdade criativa e contra a mercantilização do carnaval de rua do Rio de Janeiro” e promete "varrer a intolerância em um vendaval de serpentina".

Os blocos não oficiais se distinguem dos grandes blocos tradicionais da cidade poque não têm carro de som. São concentrações de músicos e foliões que estão juntos e fazem carnaval que não precisa de nenhum tipo de aparato. A maioria é do tipo fanfarra. Alguns ficam parados e outros desfilam pelas ruas do centro.

O bloco "Vem Cá, Minha Flor" abriu o carnaval não oficial do Rio no Buraco do Lume, como é popularmente conhecida a Praça Mário Lago, famoso logradouro situado próximo ao Largo da Carioca, no centro do Rio. A festa será encerrada pelo Cordão do Boi Tolo, criado em fevereiro de 2006, na Praça XV.

O bloco "Mulheres Rodadas" realizou a performance “Um estrupador no teu caminho”, na Pira Olímpica, na Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, popularmente conhecida como Boulevard Olímpico, localizada às margens da Baía de Guanabara. As integrantes do bloco, fundado pela jornalista Renata Rodrigues, repetiram à maneira delas, carnavalizado, o gesto efetuado pelas mulheres chilenas que já ganhou o mundo. No dia 25 de novembro do ano passado, Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, as mulheres do coletivo feminista "LasTesis" realizaram a maior mobilização de denúncia contra abusos, principalmente de caráter sexual, cometidos contra as mulheres, no Chile.

O ato ocorreu antes do cortejo do bloco, aberto a qualquer mulher que quisesse participar. Para tanto, bastava levar uma faixa para vendar os olhos, tal como foi feito no Chile. Em seguida à gravação da performance, teve início o cortejo do "Mulheres Rodadas" em direção à Praça XV.

Bloco de carnaval feminista, o "Mulheres Rodadas" sempre tentou trazer as questões de gênero relacionadas à violência contra a mulher, ao assédio, para dentro do carnaval. “Nós sempre fazemos performances nos nossos desfiles que têm a ver com o nosso repertório. A gente toca aquela música do Chico Buarque - 'Geni e o Zepellin' - e faz alguma coisa que remeta à violência contra a mulher”, disse Renata Rodrigues à Agência Brasil. Como a mobilização do coletivo chileno já se espalhou pelo mundo inteiro, o bloco achou que seria adequado trazer isso para o carnaval. Renata acredita que, pela primeira vez, o ato inspirado nas chilenas teve participação de “pernautas” ou mulheres em pernas de pau, que integram uma das alas do bloco.

Para os integrantes do bloco "Mulheres Rodadas", o carnaval não oficial tem a ver com o conceito de liberdade. “O carnaval é livre, é parte da cultura do Brasil e, em especial, do Rio de Janeiro; o carnaval é uma manifestação popular e, portanto, não tem que ser regulado nem pelo governo nem pela iniciativa privada”, afirmou Renata.

A bióloga Carolina Marques gosta muito dos dois tipos de blocos: os grandes blocos tradicionais e os não oficiais. Entretanto, prefere os não oficiais. “Acho que eu saio mais, estou mais junto dos meus amigos, brinco mais. Depois, tem essa coisa de rua, de ocupar o espaço, brincar, curtir o carnaval. Então, acho que sou mais os não oficiais”, concluiu, em entrevista à Agência Brasil.

O cineasta carioca Sérgio Batista mora atualmente em Niterói, mas não perde oportunidade de voltar ao Rio e curtir o carnaval. Ele vê vantagens tanto nos blocos não oficiais como nos grandes blocos. Acredita que parte do reavivamento do carnaval carioca nos últimos dez ou quinze anos se deve aos blocos extraoficiais. “Acho que levou muita gente para a rua, com irreverência, novidade”. Batista defendeu a volta às ruas do carnaval tradicional, com os blocos de embalo do tipo "Cacique de Ramos". Chamou a atenção, também, para blocos como o "Boitatá", que têm autorização da prefeitura e se valem de financiamento coletivo para poder desfilar. “Todos os dois tipos – blocos não oficiais e oficiais – são válidos”, avaliou o carioca.

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